A revista Playboy de maio traz uma entrevista com Johnny Depp. O ator de 40 anos fala um pouco sobre uso de drogas e sua carreira.
Li pedaços dessa entrevista no jornal The SacBee. Vou colocar aqui, em inglês mesmo, pois estou com preguiceira de traduzir.

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. on his drug use: “I was never a cokehead or anything like that. I always despised that drug. I thought it was a waste of time, pointless. But I was poisoning myself with alcohol and medicating myself. I was trying not to feel things, and that’s ridiculous.”
. on acting: “I never really had an interest in it in the beginning. Nicolas Cage – we had some mutual friends – introduced me to his agent. She sent me to a casting director, and I audicitioned for the first Nightmare on Elm Street. I got the job. I was stupefied. They paid me all that money for a week. It was luck, an accident. I did it purely to pay the rent.”
. on what appeals to him: “I have an affinity for damaged people, in life, in roles. I don’t know why. We’re all damaged in our own way. Nobody’s perfect. I think we are all somewhat screwy, every single one of us.”

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* Revi este filme outro dia na tevê e o sentimento de irritação não diminuiu…. É um filme chato, mas que nos envolve completamente, como se fossemos o casal de vizinhos que de repente são convidados a fazer parte por um dia daquele mundinho fechado, ao qual só teríamos acesso pelas revistas e programas de fofocas.

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Tem gente que acha que atores devem atuar, diretores devem dirigir, roteiristas devem escrever roteiros e produtores devem produzir filmes. Tem gente que acha que atores não devem dirigir, roteiristas não devem atuar e diretores não devem escrever roteiros. Depois de ver The Anniversary Party, eu tenho que concordar com essa opinião.
O filme é o debut dos atores Alan Cumming e Jennifer Jason Leigh na direção, produção e roteiro. E eles também atuam nos papéis principais. Não sei se é só a minha natural antipatia por essa atriz, mas eu achei The Anniversary Party um tanto irritante e previsível.
A trama é boba: uma atriz trintona [Jason Leigh] e seu marido escritor [Alan Cumming] comemoram o aniversário de seis anos de casamento, logo após a reconciliação de uma separação longa que os manteve em países diferentes – ela em Los Angeles e ele em Londres. Eles convidam a fauna de amigos e os vizinhos, com quem têm uma rixa por causa do latido do cachorro. Ele vai dirigir seu primeiro filme, baseado em um dos seus livros, cujos personagens são vagamente inspirados neles mesmos. Mas quem vai fazer o papel principal no filme não é a esposa e sim uma atriz mais nova [Gwyneth Paltrow] que está fazendo mais sucesso do que a esposa do escritor. O problema da atriz trintona é justamente o envelhecimento [que é devastador, na cruel Hollywood], a insegurança com relação ao marido e a rejeição à idéia dele de terem um filho.
A festa de aniversário de casamento começa à tarde de um dia e termina na manhã do outro. E durante as comemorações os pequenos e grandes dramas vão se desenrolando, até o clímax dramático e a volta à realidade.
Apesar do elenco interessante, com atrizes populares da década de 80, como Jennifer Beals e Phoebe Cates, além de Kevin Kline [marido de Cates na vida real] e John C. Reilly, o filme peca pela auto-indulgência. Como se a vida boçal e os probleminhas existenciais dessa gente do cinema interessassem a alguém. Nós queremos ver o glamour e nos sentimos desconfortáveis com a mesquinhez e pequenez das infelicidades diárias de cada um deles.
O roteiro do filme foi escrito em cinco dias e as filmagens, com tecnologia digital, foi feita em dezenove dias. O melhor do filme é a participação de Michael Panes, um ator talentoso e que ainda tem a charmosa vantagem de parecer com o Peter Selles. O resto do filme me fez sentir como se eu estivesse lendo a revista People ou a US ou vendo programas como True Hollywood Stories.

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Lembrei do filme do Roman Polanski comentando um texto do Moa. E quando a Meg declarou que nunca conseguiu comentar O Inquilino com ninguém, resolvi fazer um esforço de memória e relembrar um dos filmes que mais me impressionaram na minha vida.
Eu devia ter uns 16 anos. Fui com uns amigos ver o filme de terror do mesmo diretor de O Bebê de Rosemary e não consegui mais sair do cinema. Meus amigos foram embora e eu fiquei. Assisti TRÊS sessões seguidas. Não lembro muito bem, mas acho que voltei no dia seguinte para mais uma sessão. Foi uma coisa alucinante. O Inquilino foi extremamente marcante na minha adolescência. Tudo nesse filme me impressionou.
Polanski interpreta um estrangeiro que aluga um apartamento em Paris, logo após a ex-inquilina ter tentado o suicídio. Vivendo no mesmo lugar que a moça, ele começa a ficar interessado na história dela e vai visitá-la no hospital. Ela está toda engessada e grita. No hospital ele conhece a sua melhor amiga [Isabelle Adjani] e vai ficando cada vez mais obcecado pela suicída, que acaba morrendo. Depois da morte dela, o inquilino começa a mudar seu comportamento e inicia uma viagem sem retorno de loucura e horror.

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O prédio onde o inquilino aluga o apartamento tem uma personalidade à parte. Se ele não fosse uma construção tão tétrica, talvez o tom do filme fosse outro. E os outros habitantes do prédio são também estranhos e têm comportamentos bizarros [ou será que é tudo imaginação do inquilino?]. O filme é escuro e denso. Eu fiquei fascinada pelos hieróglifos que o inquilino encontra no banheiro [e chocada, na época, em descobrir que os apartamentos em Paris tinham banheiros coletivos!]. Não lembro de muitos detalhes do filme, o que é perfeitamente perdoável, já que já se passaram mais de vinte anos desde a minha sessão tripla, sozinha, boquiaberta e impressionada, no cinema Jequitibá de Campinas, que acho que nem existe mais.

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