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Be Yourself é um filminho de 1930 muito divertido, com a figurete Fanny Brice, que ficou conhecida por gerações mais recentes quando Barbra Streisand a reviveu no teatro e no cinema, com a semi-biografia Funny Girl. Numa cena de Be Yourself a personagem da Fanny prepara o café da manhã para o namorado. Ela faz tudo enquanto canta, com todo amor e dedicação.
Ela prepara bacon, biscuits e oatmeal. Enquanto ela labuta subservientemente entre a cozinha e a sala, ele não move a bunda do sofá, onde senta-se confortavelmente apenas lendo o jornal. No filme, ela é uma artista, uma mulher forte e independente. Mas quando se trata de agarrar o homem—como ela mesma canta, tem que ser pelo estômago. E quando ele finalmente senta-se à mesa pra comer a refeição preparada por ela, ainda tem a cara dura de reclamar do mingau de aveia! E o pior nem é isso. O pior é que apesar de todo o esforço que ela faz, ele no final a troca por uma sirigaita loira, sem carater e interesseira.

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Essas cenas são do filme The Wedding Night de 1935, com um dos meus atores favoritos, Gary Cooper. O diretor King Vidor ganhou o Oscar de melhor diretor do ano por esse filme, que tem uma história muito fofa, apesar do final extremamente broxante [o Código, que moralizou Hollywood, já estava em vigor]. Gary Cooper é um escritor novaiorquino passando por uma fase ruim. Ele vai para Connecticut, tentar escrever um livro e fica na casa que herdou no meio dos campos de tabaco. Lá ele conhece a filha de imigrantes poloneses, Anna Sten. Ela leva para ele toda manhã o leite que ela mesma tira da vaca. Acaba fazendo também uns trabalhinhos domésticos pra ele, depois que o serviçal chinês o abandona e volta para New York. Os dois se apaixonam, la-di-dah, mas o problema é que ele é casado e ela está prometida em casamento para um amigo da família. O filme tem muitas cenas com comida, quis comentar todas, mas resolvi me restringir à apenas duas.
Na primeira, Cooper é convidado para jantar com a família polonesa, que incluí também os amigos. Os adultos sentam e comem, liderados pelo patriarca. As mulheres servem e sentam-se à mesa por último. As crianças esperam sentadas num banco duro e sentam-se à mesa para comer as sobras quando os adultos terminam—achei isso o cúmulo da crueldade. Na mesa se vê o pão e o vinho. O prato principal é a sopa de ameixa seca [prune soup]. Cooper leva a primeira colherada à boca com uma certa relutância. Depois declara aliviado—é muito boa!
Na outra cena, Cooper se vê sozinho na casa gelada e tenta acender o fogão para fazer o café da manhã. Reparem no fogão! Anna chega trazendo o leite, acende o fogão pra ele e prepara panquecas e café. Ele devora as panquecas com maple syrup enquanto ela bebe o café com leite às colheradas, enquanto conversam. Um amor de cena!

Martin Scorsese é realmente um goodfella. Não só porque ele é um grande diretor de filmes inesquecíveis, mas também porque nos passa aquela idéia de que é um cara simples, um vizinho ajudando com palpites úteis, um tio carinhoso que dá abracos, um parente simpático que envia cartões de Natal, um amigo que ouve suas histórias com atenção. Acho que eu me sentiria à vontade na frente dele, falando com ele ou para a câmera dele. Penso que Bob Dylan também se sentiu à vontade, pois acho que nunca o vi em filme assim tão feliz, relaxado, falando sem restrições, sem aquela cara de esfinge que é a sua marca registrada.
No filme-documentário de Scorsese No Direction Home: Bob Dylan, que a rede pública PBS está mostrando em duas partes, Dylan se revela. Pra uma fãnática como eu, foram duas horas de puro prazer! O filme se concentra nos primeiros anos da carreira de Dylan, de 1961 à 1966, quando ele se eletrifica e é criticado e chamado de Judas pelos seus fãs.
As pessoas aqui me olham com uma cara de incredulidade quando eu, uma brasileira, revelo a minha paixão pelo Dylan. É realmente inexplicável o que aconteceu comigo desde a primeira vez que ouvi uma das músicas dele – que deve ter sido Lay Lady Lay, quando eu ainda era uma pré-adolescente. A música desse artista tem um poder sobre mim que ultrapassa as barreiras da língua e do entendimento. Eu fui fã do Dylan por anos, sem entender uma única palavra do que ele cantava. Eu sempre digo que o meu único interesse em aprender inglês – que nem vinha carregado de muita dedicação – era para entender o que o poeta cantava. Consegui finalmente, porque acabei acidentalmente virando uma estrangeira. Hoje posso dizer que não só a música, mas a poesia do Dylan fala diretamente para mim. Tudo o que ele canta faz sentido, toca um sino, me faz sorrir ou chorar, me carrega junto.
Exagero, não? Que nada. Ontem, assistindo à primeira parte de No Direction Home: Bob Dylan, tive uma epifania explicativa para essa minha história. Logo no inicio, contando como descobriu a vitrola com um disco de música country dentro, Dylan conta como o som daquela música fez ele se sentir uma outra pessoa, como se ele tivesse nascido em outro lugar. Acho que é exatamente isso que a música provoca: penetra nas profundezas do subconsciente e mostra quem você realmente é, o lugar ao qual você pertence e a sua missão neste mundo.
A música de Bob Dylan provocou esse efeito em mim quando eu ainda nem sabia quem eu realmente era e qual era o meu propósito nesta vida. Muitos anos depois eu ainda não me encontrei completamente, mas com certeza a música desse homem tem me inspirado à beça pelo caminho.

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Filmes com cenas na cidade de Londres:
The World is not Enough [James Bond]
MI6 building at Vauxhall Cross, River chase – Tate Gallery at Millbank, many famous London bridges, Houses of Parliament, The creek next to the Design Museum, Surrey Quays, Royal Docks, Thames by the Dome. Bond falls from a hot air balloon onto the roof of the Dome.
101 Dalmations
Trafalgar Square, Leicester Square, Burlington Arcade, Battersea Park, Kenwood House
Four Weddings and a Funeral
Chapel of Royal Naval College – Greenwich, Café Rouge – Wellington Street – venue for the ‘how many lovers’ conversation.
Lock, Stock & Two Smoking Barrels
Borough Market, Bethnal Green Town Hall, Staples Market (Camden)
The Madness of King George
Syon House (Brentford), Painted Hall – Royal Naval College (Greenwich), St Paul’s Cathedral.
Notting Hill
Portobello Road are of Notting Hill, Kenwood House, Nobu Restaurant, Savoy Hotel, Ritz Hotel, Garden of Hempel hotel
Shakespeare in Love
Hatfield House, Great Hall at Middle Temple, Marble Hill House, Spitalfields, St Bartholomew’s Church
Sliding Doors
Bertorelli’s in Charlotte Street, Blue Anchor pub Hammersmith, Albert Bridge
Wilde
Somerset House, Borough Market, Lincoln’ s Inn
An American Werewolf in London
Regent’s Park, Clink Street
My Fair Lady
Covent Garden market
Bridget Jones’s Diary
The Globe Pub ( Borough High Street), Piccadilly Circus, London Bridge, Liverpool Street Station, Old Bond Street, Tate Modern, Bankside, Dickens & Jones, the ICA, Borough Market and the Royal Courts of Justice.

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[ * todas as fotos “by Fezoca”]

>>> uma reprise – eu vi Smilla’s Sense of Snow na tevê anos atrás. nunca mais revi. mas a minha opinião ficou guardada. e vale sempre a pena ler de novo! >>>

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Eu liguei a tv no sábado à tarde e fiz um rolê pelos canais de filmes. No Bravo, vi uma cena ártica, com uns ruskies, um esquimó pescando no meio de um mar de gelo…. Um buraquinho, e lá embaixo na água gelada, uns animais que não lembro o nome… aqueles gordinhos, que não são focas, nem leões marinhos….
Bom, o esquimó bem tranqüilão pescava na planície gelada. Tons de azul variantes são quebrados por uma bola de fogo vinda do céu, provocando uma onda de gelo e água, que engolfa os cães e o homem.
A paisagem me provocou um momento de reminiscência e as imagens me deixaram plantada na frente da tv, de pé, controle remoto em punho, dedo em cima da tecla ‘channel’. Tive que ver que filme era aquele.
Era Smilla’s Sense of Snow, um filme de 1997 dirigido pelo Bille August. Ele também dirigiu o exagerado The House of the Spirits , quem não viu? Ele é o filme preferido da minha irmã, da minha mãe, da minha tia, da minha prima…. Acho que eu fui a única mulher da família que não curtiu a história da Isabel Allende. Bom, voltando ao Sense of Snow, o filme é lento, meio deprimente, com uma história rocambolesca de intriga e crimes relacionados com uma companhia de mineração e uma descoberta que poderá mudar o destino da humanidade, pra pior, é claro!
Smilla (a lindinha Julia Ormond) é uma Inuit da Groelândia, que mora na Dinamarca. Ela é meio groelândesa, meio dinamarquesa. Pelo que pude perceber na história, os Inuits da Groelândia tem o mesmo perfil e destino dos Inuits, Creeks e os Méties do Canadá – eles são discriminados e vivem à margem da sociedade. Pelo menos é essa imagem que a Smilla tenta combater. Ela chega em casa, num apartamentinho low income, e vê seu pequeno vizinho, um menino também Inuit de 6 anos, morto na calçada da rua. Ele caiu acidentalmente do prédio. A mãe do menino, sempre bêbada, deixou ele ficar surdo de tantas infecções de ouvido não tratadas. Smilla era a única amiga do menino. Ela vê as pegadas na neve acumulada no teto do edifício e dali deduz que o acidente não foi um acidente. Ela saca tudo de neve, ela nasceu e cresceu na Groelândia…
O outro vizinho é o gostosão Gabriel Byrne, que pra mim dá de dez no Harrison Ford no quesito rugas charmosas… Ele tenta conquistar Smilla, que parece estar num regime de vida normal e sexo por anos. Enquanto isso ajuda também a Inuit a resolver o intricado mistério que envolve a morte do menino e uma companhia de mineração comandada pelo cara de mau Richard Harris. O Robert Loggia é o pai dinamarquês da Smilla, que é rico e casado com uma perua insuportável. Vanessa Redgrave é uma freira que tem as chaves dos segredos das sacanagens da mineradora.
Smilla não descansa enquanto não desvenda tudo e acaba com a graça do Richard Harris. O filme é pesadão, mas as paisagens são lindas e o Gabriel Byrne me deu minhoquinhas no estômago! Vi o filme dos letreiros iniciais até os finais – o que é pouco comum para mim, que só vejo filme começado ou só vejo uma parte e desligo a tv morrendo de tédio. Mas Smilla e sua sensibilidade de esquimó me captou.

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Pra Meg.

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Ontem fomos ver The Majestic, o novo filme do Jim Carrey. Não sei por que eu estava com essa idéia de que o filme era em b&w…. Talvez por causa do The Man Who Wasn’t There dos irmãos Coen, que vimos na semana retrasada. Sinceramente, eu achei o filme um verdadeiro dramalhão. Bom pra desopilar as neuras de tanto chorar…. E eu não tinha lenço na bolsa e tive que ficar chupando o nariz e limpando as lágrimas com as costas da mão. Uma inconveniência……
Eu adoro o Jim Carrey, mas não gostei dele em The Majestic. Ele esta muito sério, muito lacrimejante e muito chato. Eu gosto mais dele fazendo careta, sendo o gênio da comédia que ele é [bom, eu acho que ele é um gênio!]. Esse negócio de provar que sabe atuar e competir por um Golden Globe ou Oscar é besteirada. Eu acho muito mais difícil um ator me arrancar uma gargalhada do que uma lágrima, já que eu choro até com comercial de automóvel.
Apesar da trama melodramática e cheia de clichês – ‘inspirada’ em Frank Capra – o filme tem algumas coisas que eu gostei. A fotografia é linda, a reconstituição de época está adorável e eu curti as músicas, da década de 50. Queria descobrir que cidadezinha era aquela, onde a história do filme se passa. Muito linda, me lembrou Medoncino.
Eu não li nada sobre The Majestic, com exceção de um pequeno comentário no SacBee que dizia que o filme tinha um ‘bad timing’. Depois do que aconteceu aqui nos EUA em setembro, a sensação que o filme nos passa é realmente muito desconfortável e melancólica, porque destaca as perdas humanas nas guerras. E também mostra uma América que muitos preferem esquecer – da guerra fria e perseguição aos supostos comunistas em Hollywood. Com direito à discurso com a constituição nas mãos e tudo, Jim Carrey caprichou na atuação. Mas não me convenceu.

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Nancy Savoca faz parte do seleto grupo de mulheres diretoras que surgiram na parada durante a década de 90. É dela a interessante saga católica de uma família italiana em New York, em Household Saints, onde Lili Taylor faz uma menina-beata, que quer ser freira.
Antes de Household Saints, Savoca dirigiu o delicado Dogfight, onde Lili Taylor é Rose, uma garçonete feiosa, pacifista e fã de música folk, que vive em San Francisco em 1963. Rose é uma otimista e acredita que a música de Woody Guthrie , Odetta, Joan Baez e Bob Dylan vai mudar o mundo. Um dia, Rose conhece no café onde trabalha o marinheiro Eddie Birdlace [River Phoenix] que a convida para sair e dançar. Na verdade, Eddie e seus amigos estão arrumando encontros com garotas feias, para competirem no “dogfight” – uma disputa de mau gosto feita na noite anterior deles partirem para o Vietnã, onde quem trouxer a acompanhante mais feia leva o prêmio.
Rose descobre a história e Eddie leva uma descompostura e uns tabefes. Mas a essa altura do campeonato algo mudou em Eddie, pois ele vai atrás dela, pede desculpas, a leva para jantar e passam a noite juntos, caminhando pelas ruas de San Francisco e depois ouvindo Bob Dylan no quarto dela [uma cena delicada e lindíssima, que me fez chorar, não sei porque..].
Dogfight é um desses filmes “coming of age”, onde tudo muda por causa de uma guerra e no reencontro entre os personagens, tudo está diferente, menos o sentimento que eles ainda mantém um pelo outro.
Se tiver como classificar um filme de “delicada caixinha de música”, Dogfight entra nessa categoria. Lili Taylor está sempre ótima fazendo papéis de figuras simples, mas cheias de personalidade. E River Phoenix está tão perfeito, tão natural, que nos deixa cheios de pena, por ele ter tido a carreira abortada por um acidente estúpido e trágico.

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Fomos ver o último filme dos irmaos Coen e eu fiquei com a impressão de que eles estão descendo a ladeira… Desde Intolerable Cruelty que os Coen parecem ter adotado uma nova maneira de fazer filmes. Sinto saudades de filmes como Raising Arizona, O Brother, Where Art Thou?, Fargo e o meu favorito, The Big Lebowski.
The Ladykillers tem a marca dos Coen – os bonzinhos da história sempre se dão bem, mesmo que de uma maneira indireta e os maus vao pro inferno, é claro. Desta vez, os Coen vão até o Mississipi, onde um bando de ladrões liderados pelo sofisticado Professor G.H. Dorr [Tom Hanks] planeja roubar um cassino, cavando um túnel que parte do porão da casa de Marva Munson [Irma P. Hall], uma senhora víuva que aluga quartos. Os ajudantes do Professor passam o filme brigando e a landlady é uma pedra no sapato de todos. No final, o problema maior é quem vai eliminá-la.
O filme tem cenas engraçadas, o personagem de Hanks é carismatico [declamando Edgar A. Poe], a trilha sonora é recheada de blues, hip-hop e gospel, mas ficou faltando alguma coisa…. The Ladykillers é a refilmagem de um filme inglês de 1955, com Alec Guinness. Talvez o segredo dos excelentes filmes dos irmãos Coen está na originalidade dos roteiros. Este, adaptado por Joel Coen, não funcionou tão bem.

Eu vi o filme sobre a vida da escritora Iris Murdoch duas vezes na tevê e nunca consegui escrever sobre ele. Eu tenho mesmo uma certa dificuldade para comentar filmes que me emocionaram demais e Iris é um deles.
O filme se concentra no final da vida da escritora, quando ela sucumbe às sombras do Mal de Alzheimer. Enquanto assistimos à decadência intelectual e emocional imposta pela doença de Iris, o filme nos mostra em flashbacks momentos da sua juventude, quando ela conhece o intelectual e professor John Bayley, que será o seu companheiro até a morte.
O mais tocante em Iris é a tortura de ver Murdoch [vivida na juventude por Kate Winslet e na velhice por Judi Dench] sendo engolida pela doença, que a coloca num mundo à parte, enquanto conhecemos a personalidade carismática e energética da escritora na sua juventude. Também emociona a dedicação e o amor de John Bayley [vivido na juventude por Hugh Bonneville e na velhice por Jim Broadbent] por ela. O contraste entre a intelectual e free spirit Murdoch da juventude e a frágil, confusa e decadente Murdoch arrasada pela terrível enfermidade é enorme. E o sentimento de tristeza é devastador. O trabalho dos quatro atores está maravilhoso e Judy Dench, Jim Broadbent e Kate Winslet ganharam indicações para o Oscar de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante em 2002.

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