Eu não sou fã dele e do programa dele por pouca coisa. O cara é tudo: bonito, inteligente, charmoso e ÍNTEGRO! Isso é o que raramente se vê por aí.
Jon Stewart recebeu propostas para levar o seu fantástico talk show noturno, o The Daily Show with Jon Stewart, para outros networks mais poderosos e influentes. Mas ele rejeitou todas as ofertas e renovou seu contrato com o canal a cabo Comedy Central onde ele vai poder continuar tendo liberdade artística para fazer e falar o que quiser. Pra mim o talk show dele é o melhor, mais engraçado e mais inteligente da televisão norte-americana. Tem só meia hora de duração, mas desopila o fígado e a alma. O tema central do programa é a política. Quer melhor tema pra esculhambações inteligentes que este, principalmente nesta situação absurda e rídicula que estamos vivendo neste país hoje? E o Jon Stewart faz sua sátira com mestria. Ele tem notícias falsas, relatadas por repórteres falsos e que soam muito mais real do que qualquer jornalismo sério de qualquer outro canal.

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Em reconhecimento à sua lealdade, o The Daily Show with Jon Stewart foi promovido para um ‘prime time’ [ 10pm] e sua estréia no novo horário terá um especial de uma hora entitulado ‘The Race from the White House’. Imperdível!

Eu perco as palavras e a inspiração quando preciso escrever sobre um filme que adorei. Criticar um filme chato é muito mais fácil do que elogiar um filme que te encantou. Por isso fiquei o sábado todo enrolando, sem conseguir colocar as letras e as idéias num texto coerente. Talvez eu precisasse de um dia para digerir todos os sentimentos que o novo filme do Jim Carrey produziu em mim.
Eternal Sunshine of the Spotless Mind não é uma comédia. É um filme romântico, com roteiro fascinante do genial Charlie Kaufman [de Being John Malkovich e Adaptation]. Comparado com seus dois outros filmes, eu achei que neste o Kaufman se superou. A história é tão bem costurada, tão perfeita, tão bem contada, não tem nenhum defeito, nenhum buraco, tudo se encaixa como uma luva. Os criticos estão despejando elogios e eu li que Kaufman se inspirou em Memento [outro filme perfeito] para fazer Spotless Mind.
A concepção é mesmo similar. A história é contada de uma maneira fragmentada e o que você vê não é totalmente a realidade, mas o que se passa na mente do personagem.

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Joel [Jim Carrey] é um cara comum e tímido que tem um relacionamento de um ano com uma maluquete verborrágica chamada Clementine [Kate Winslet]. Quando o relacionamento acaba, ela contrata o serviço de uma firma chamada Lacuna, que apaga as lembranças de Joel da sua memória. Quando Joel fica sabendo o que Clementine fez, decide apagá-la da sua memória também. Mas durante o processo, ele descobre que gosta das lembranças dos momentos bons que passou com a namorada e inconsciente resolve tentar salvar Clementine de ser apagada.
Todos os atores do filme estão em atuações perfeitas. Dr. Howard Mierzwiak [Tom Wilkison], o dono da empresa Lacuna, Mary [Kirsten Dunst], a secretária e Stan [Mark Ruffalo] e Patrick [Elijah Wood], os assistentes que trabalham com o médico. Há duas tramas paralelas à história de Joel e Clementine – a paixão de Mary pelo doutor Mierzwiak [que vai revelar um probleminha no procedimento de deletação das memórias] e o de Patrick e Clementine [onde Patrick ‘rouba’ as memórias de Joel para conquistar Clem].
A atuação de Jim Carrey está particularmente impressionante. Pela primeira vez na sua carreira ele conseguiu a perfeição num papel não-cômico. Ele nos passa uma enorme naturalidade no personagem Joel. Não tem cacoetes melodramáticos, como aconteceu no horrível The Majestic. Desta vez Carrey provou que pode fazer o que quiser como ator e se superou!
O filme é romântico e delicado, com cenas memoráveis e singelas. Ele discute a atração entre pessoas comuns e opostas. Mostra que o tédio que se instala nos relacionamentos é universal e que nem sempre esquecer os motivos de um fracasso é a melhor solução. No caso de Joel e Clementine, a atração inexplicável venceu até a ausência de memória. Para nós amantes do cinema, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um filme inesquecível.

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Desculpem a bagunça de hoje no Cinefilia…… Trocamos de servidor e na mudança perdi umas fotos, uns posts e deu uma desarranjadinha no layout. Mas já está tudo arrumado. E agora estamos não só de servidor tri bacana , mas com espaço monstro. Eu estava cansada de pagar uso de banda extra, por causa dos links das fotos que os noruegueses e holandeses faziam daqui deste blog. Aproveitamos para fazer um upgrade do Movable Type, que agora roda na versão 2.661. Voalá! Voltamos à programação normal!

A revista Entertainment Weekly listou The 25 Funniest People in America. O número uno é o caústico, polêmico e audacioso Chris Rock.
Vou enumerar os meus favoritos da lista, em suas respectivas posições no ranking da revista.
2 – Jon Stewart e o time do “Daily Show”
[ADORO o Jon e o talk show dele, que pra mim é o mais inteligente e engraçado da televisão norte-americana]
3 – Will Ferrell
[ele era meu favorito no SNL]
5 – Dave Chappelle
[Ele tem um programa hilário no Comedy Central….outro dia ele fez um Prince de rolar no chão de tanto rir….!]
6 – Ellen DeGeneres
[ADORO! ADORO! ADORO!]
7 – Bill Murray
[Meu mal humorado favorito…!]
10 – Jim Carrey
[ADORO! ADORO! ADORO!]
13 – Jack Black
[irreverente e brilhante!
14 – Wanda Sykes
[gosto dela, uma feia engraçada!]
19 – Bernie Mac
[Adoro! O mais engraçado do time que saiu do Kings of Comedy]
Os outros da lista eu nem vou citar, porque não são os mais engraçados na minha opinião. E a revista cometeu uma injustiça, deixando a maravilhosa e engraçadíssima Margaret Cho fora dessa lista…..

Encerrei o final de semana passado assistindo Stella Maris, um filme mudo de 1918 com a Mary Pickford, que faz um papel duplo: uma menina rica e deficiente física e uma órfã que recebe todo tipo de maus tratos. Deu até pra chorar umas lágrimas, mas gostei mesmo foi de ver a técnica do diretor Marshall Neilan, que fez cenas bem criativas. Apesar da trama ser um tanto melodramática, o trabalho de interpretação da Pickford está fantástico e os truques que o diretor usa para colocar as duas personagens juntas são realmente notáveis. Diz que o filme foi um baita sucesso na época. Eu posso imaginar!
O que eu adoro em filmes bem antigos é prestar atenção nos detalhes dos cenários, casas, utilitários, penteados, sapatos, acessórios…. É uma verdadeira viagem no tempo e é fascinante!

O western em preto e branco, dirigido impecavelmente por Fred Zinnemann, deu um Oscar de Melhor Ator à Gary Cooper e marcou a estréia nas telonas da futura princesa Grace Kelly.
High Noon foi considerado uma propaganda comunista, a resposta às perseguições perpetradas na indústria do cinema na década de 50. John Wayne disse que o filme era anti-americano. Digam o que quiserem, o filme é uma obra-prima!
Depois de cinco anos numa prisão, o bandido Frank Miller [ Ian MacDonald], volta à cidadezinha onde ele mandava e desmandava, para matar o xerife [Gary Cooper] e o juiz [Otto Kruger] que o colocaram na prisão. Ele conta com a ajuda de três comparsas, que passam o filme esperando por ele na estação de trem da cidade.
O juiz foge, mas o xerife resolve enfrentar os bandidos e não recebe o apoio nem a ajuda de nenhum membro da comunidade. Ele é corajoso, orgulhoso, tem senso da sua obrigação naquela situação. Mas durante a hora que ele passa procurando por ajuda e sendo rejeitado, o xerife vai sentindo também medo e angustia. Quando o trem chega na cidade, ao meio-dia em ponto, o xerife sabe que está condenado, que vai morrer. Mas enquanto todos na cidade se escondem e silenciam, o xerife contínua em pé, firme, decidido, esperando pelos violentos e vingativos bandidos.
High Noon tem um detalhe interessante, pois a hora passada no filme é uma hora real, combinada com o relógio do espectador, que também se angustia ao ver os minutos passando. É um filme sobre caráter, ideologia, coragem e determinação. O xerife é abandonado pela comunidade que ele serviu por anos, mas em momento algum desanima das suas convições e seu senso de dever. A vergonha é dos covardes que lavam as mãos, por medo ou por descaso. O xerife joga finalmente a sua estrela no chão e deixa a cidade que lhe virou as costas. Mas não antes de fazer o trabalho que lhe era esperado.
Um filme lindo e poético.

cooper&kelly

O curta de 1921, com roteiro e direção de Charles Chaplin, é uma verdadeira preciosidade da comédia. A história é boba. Chaplin faz dois papéis – um vagabundo e um ricaço alcóolatra que está tendo dificuldades no casamento. O filme tem muitas cenas engraçadas quando o vagabundo se enfia num campo de golfe e outras tantas cenas hilárias quando o ricaço vai buscar a esposa na estação de trem sem as calças. O curta tem apenas trinta minutos, mas é tempo suficiente para Chaplin nos encantar com todo o seu talento – ou melhor, a sua genialidade – para a comédia. O timing é sempre perfeito e ele tem idéias tão brilhantes e criativas, que são imitadas até hoje. Uma cena fantástica mostra o marido recebendo um bilhete da mulher dizendo que ela vai ocupar outro quarto da casa enquanto ele não parar de beber. Ele lê o bilhete e se vira de costas para a câmera e de frente para uma mesinha onde estão garrafas de bebidas e copos. Ele se curva e faz movimentos com o corpo como se estivesse chorando convulsivamente. Quando ele se vira outra vez de frente para a câmera, vemos que ele está na verdade chacoalhando uma coqueteleira, que ele abre com cuidado e derrama a bebida numa pequena taça. E bebe com uma cara de quem não está nem aí. Formidável!