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“A few times in my life I’ve had moments of absolute clarity, when for a few brief seconds the silence drowns out the noise and I can feel rather than think, and things seem so sharp and the world seems so fresh. I can never make these moments last. I cling to them, but like everything, they fade. I have lived my life on these moments. They pull me back to the present, and I realize that everything is exactly the way it was meant to be.”
Como não adorar esse filme? Tem texto mais perfeito? Não.

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Acordei com saudades de River Phoenix. Acho que acordei com saudades de uma outra época da minha vida, quando o futuro parecia mais fácil e promissor. Talvez seja apenas a minha natureza melancólica e nostálgica. É um sentimento que não consigo evitar. River Phoenix foi meu “companheiro” durante anos e eu me via nele, principalmente em My Own Private Idaho. Hoje estou mais para George, o personagem de Colin Firth em A Single Man. O sentimento de “o que vou fazer da vida?” me assola.
Enquanto isso a vida vai passando. Tenho total consciência desse fato. Tento aproveitar os momentos presentes observando as cores do céu, acariciando meus cães, sentindo o prazer que a água da piscina me dá quando estou nadando, o sabor das comidas que como.
Ainda assim, não sei.

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Tem dias que eu tenho vontade de ficar embaixo do lençol, deitadinho na minha cama com as cortinas fechadas e nenhum barulho à minha volta. Mas o fato é que preciso estufar o peito, fazer cara de mau e enfrentar a vida, com um bom Rumble Fish que enfrenta todos seus medos e inseguranças.
Matt Dillon, meu herói há décadas, me serve de inspiração. Vamos em frente que o caminho a ser trilhado não é fácil.
;ˆ)

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Uma mistura de Catch me if you can com Oz (a série da HBO), I love you, Phillip Morris estreou por aqui na semana passada e eu corri para ver no cinema, antes que saia de cartaz. Um filme difícil que poucas pessoas conseguirão curtir.
Baseado numa história verídica, por mais absurda que pareça, o filme é adaptado de um livro que conta a história de Steven Russell (Jim Carrey), um cara casado com uma mulher extremamente religiosa, com dois filhos, e muitas transas com outros homens, que resolve, após um acidente quase fatal, viver a vida sem mentiras ou falsidades.
Ele se muda para Flórida e assume um relacionamento com Jimmy, vivido pelo LINDO Rodrigo Santoro. Só que, ele diz logo no começo da história, “essa vida de gay é cara” e ele precisa dar um jeito de arrumar dinheiro para viver “dignamente”. Steven vai parar na cadeia por causa de seus golpes e lá conhece Phillip Morris (Ewan McGreggor, maravilhoso como sempre). Steven e Phillip se apaixonam e vivem um lindo romance atrás das grades. Quando saem da prisão (graças a golpes e falcatruas de Steven), vivem maravilhosamente bem até que voltam para a prisão e assim segue a vida dos dois até o fim. Golpes, prisão, fuga, golpes, prisão, fuga… Até o fim.
O filme tem cenas cômicas pois é um filme com Jim Carrey. Tem cenas românticas e tocantes, muito em função da performance de McGreggor e tem cenas muito tristes, principalmente se pensarmos que é uma história real.
Não sei quantas pessoas vão gostar do filme, mas eu, bobo do jeito que sou, engoli tudo, sedento sempre por histórias de amor entre dois homens. Essa é uma das mais intensas, embora bem fora dos padrões da “normalidade”.
Rodrigo Santoro aparece pouco mas marca presença. Ora pela beleza, ora pelo talento. A cena em que está no hospital, exigindo que Steven lhe faça uma promessa, é tocante.
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Numa conversa recente com duas amigas uma das minhas mais graves “falhas cinematográficas” foi levantada, “Como assim, você nunca viu Born Yesterday, Moa?! Veja!”
Assim eu fiz.
Minha “implicância” com o filme era bem fácil de explicar. Embora o filme tenha William Holden lindo e maravilhoso, adorável como sempre, no seu melhor ano, a atriz do filme, Judy Holliday, “roubou” o Oscar de 1950, que deveria ter ido ou para Bette Davis ou para Gloria Swanson. Se eu pudesse voltar no tempo e manipular os votos para melhor atriz daquele ano, o Oscar seria um empate entre as duas divas e essa história seria corrigida, mas enfim…
Uma vez dito isso, eu tenho que confessar que ADOREI Born Yesterday e vi o filme com um sorriso de orelha a orelha, gargalhando em diversas partes. Uma delas chegou a me arrancar lágrimas dos olhos, exatamente como a Fer tinha dito que acontece com ela. Vejam:

Não é irresistível? As caras que ela faz para contar as cartas, seus olhares, sua voz, seus gestos. A cena toda é brilhante pois eles quase não têm fala e Broderick Crawford dá um show também.
Judy Holliday interpretou a mesma personagem no teatro durante três anos, antes de fazer o filme. Depois ficou marcada como a loura burra e fez poucos filmes, infelizmente. Morreu de câncer de mama, aos 43 anos de idade, mas entrou para a história do cinema como aquela que roubou o Oscar de Bette Davis e Gloria Swanson. Não posso dizer que foi justo, mas foi merecido, o que quer que isso signifique. ;^)

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1936 – 2010

Blue Velvet, Rumble Fish, Easy Rider, Apocalypse Now, Giant… Diferentes faces de um brilhante ator que teve uma carreira cheia de altos e baixos mas vai deixar saudades pelos grandes vilões e malucões que interpretou ao longo dos anos. Espero que ele tenha aproveitado bastante.

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Hoje assisti um filme que eu queria ver há anos! Tenho lido a respeito de Roar desde que virei fã da Tippi Hedren. Quando foi isso eu não sei precisar. Acho que tem mais de 20 anos, pelo menos.
Tippi foi casada com Noel Marshall e já era mãe da então jovem e belíssima Melanie Griffith quando ela e Noel resolveram fazer um filme que conta a história de uma família em uma aventura na África, cercados de leões, tigres, panteras e elefantes. O filme levou 11 anos para ser concluído e a história precisa de muita coisa para ficar boa, mas os animais são INCRÍVEIS, LINDOS e são os verdadeiros astros do filme.
Também é inacreditável ver Tippi, Melanie e os filhos de Noel interagindo com os animais. Mais impressionante ainda é como Noel Marshall se relaciona com os leões, como se fosse um deles e, aparentemente, era assim que os leões o viam também.
Difícil imaginar que uma lady tão glamourosa como a Tippi conseguiu ser casada com um “troglô” como o Noel. Pelo menos durante a filmagem ele era um bicho selvagem. ;ˆ)
Na foto abaixo, Tippi e Melanie, bem antes de Roar, provavelmente na década de 60, quando Tippi filmava com Hitchcock. Não eram LINDAS???
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Essa é a história de um dia na vida de um professor cujo companheiro de 16 anos morreu em um acidente de carro, com seus dois cães, em viagem para visitar a família, há 8 meses atrás. George é professor de literatura e, além da memória de seu companheiro Jim, passa o dia em companhia de várias pessoas: sua amiga Charlotte, o belo espanhol Carlos que conhece casualmente numa loja e o jovem Kenny, seu aluno que o persegue durante o dia, aparentemente fascinado pelo professor.
Me identifiquei com George em quase tudo (o companheiro, os cães, a profissão, a amiga de longa data, o bonitão na rua, o aluno que o admira, a dor que eu sentiria se tivesse a mesma perda) e não tive dificuldades em me colocar em seu lugar.
O filme A Single Man é a primeira incursão do fashion designer Tom Ford na direção de um longa metragem e ele faz jus à sua fama e experiência. O filme é absurdamente lindo. Todos são lindos, tudo é lindo. A fotografia é magnífica, os cenários são deslumbrantes (George mora numa casa toda envidraçada, belíssima), os figurinos, como não poderiam deixar de ser, são impecáveis. A história é uma adaptação de um romance do inglês Christopher Isherwood (o mesmo de Cabaret) e eu encomendei o livro à Amazon assim que voltei pra casa. A trilha sonora é assombrosa (também comprei na Amazon, junto com o livro) e não sai da minha cabeça. Os enquadramentos são sempre sofisticados e a gente percebe influências de várias fontes como Douglas Sirk e até Pedro Almodóvar.
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Como se não bastasse, no melhor estilo the icing on the cake, o elenco do filme é simplesmente perfeito. Colin Firth como George tem o melhor desempenho de sua carreira (cheia de ótimos desempenhos, diga-se de passagem) e eu acho que ele deveria ter ganho o Oscar, embora eu seja fã de Jeff Bridges. Eu acho que o Jeff Bridges já devia ter ganho o Oscar há mais tempo, esse ano era do Colin Firth.
Julianne Moore, Matthew Goode, Nicholas Hoult (aquele menininho de About a Boy cresceu!) e o modelo Jon Kortajarena são os coadjuvantes ideais para Colin Firth. Cada um a seu modo, com destaque para Julianne Moore que é sempre tão magnetizante. George e Charley (apelido de Charlotte) dançando o twist é uma cena deliciosa.
No fim, chorei porque senti a tristeza de George. Acho que poucas vezes me vi tão bem em um personagem. Felizmente minha vida se diferencia da dele em diversos pontos. Não uso os óculos Wayfarer que ele usa, não tenho os ternos de alta costura que ele usa, não vivo em Los Angeles nos anos 60 e nem naquela casa maravilhosa, mas meu companheiro está vivo e bem. Não dá nem pra comparar.
Mais uma coisa: eu amei, amei, amei o filme. Há tempos não gostava tanto de um filme novo. Que bom. A sensação de ver um bom filme no cinema é indescritível.

Audrey Hepburn sempre foi uma favorita entre as favoritas. Impossível não sucumbir ao seu charme, elegância, humor e delicadeza. Breakfast at Tiffany’s é sempre o mais citado e eu cheguei a realizar meu sonho de ver esse filme em tela grande, em New York, anos atrás.
Mas nada me fez rir mais do que Audrey ao lado do também delicioso Peter O’Toole na comédia How to Steal a Million, dirigida por William Wyler (outro favorito) em 1966.
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Passado inteiramente em Paris, com direito a locações maravilhosas, o filme conta a história de uma filha que faz de tudo para impedir que seu pai, um talentoso falsificador de pinturas e esculturas famosas, vá para a cadeia. Com a ajuda de um suposto ladrão, ela quer tirar de um museu uma estátua que seu pai esculpiu e que todos pensam ser legítima.
Quando vi esse filme pela primeira vez, ao lado da minha mãe, numa Sessão da Tarde qualquer, gargalhamos como se estivéssemos num circo. Audrey e seus olhos arregalados, suas expressões inesquecíveis e seu talento único capaz de misturar drama e comédia em segundos, nos arrebatou.
Como é possível não adorá-la?
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Interessante que esse filme, junto com Two for the Road, de 1967, não costumam ser muito citados nos artigos sobre Audrey mas são os que eu mais gosto. Que Breakfast at Tiffany’s me perdoe.