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Sexta-feira fui comprar sorvete após o almoço, lá perto do trabalho. Passei na frente de uma banca de revistas e, em meio a zilhões de revistas de sacanagem e DVDs de pornografia, o que vejo? QUANDO FALA O CORAÇÃO (Spellbound) do Hitchcock!! Por míseros 19,90! Ingrid Bergman e Gregory Peck num filme que eu nunca tinha visto, dirigido pelo mestre em 1945. Que presente divino! Na primeira oportunidade me preparei adequadamente para assistir a essa pérola com todo o requinte necessário: quarto escuro, cachorro alimentado e dormindo, travesseiros afofados e telefone desligado. Tem coisas que a gente não consegue repetir na vida. Ver um filme do mestre Hitch pela primeira vez não é todo dia que acontece, então eu tinha que me concentrar para apreender o máximo da experiência.
Um sanatório psiquiátrico. Ingrid Bergman, belíssima, é uma quase frígida psiquiatra freudiana que rejeita todas as investidas de um colega de trabalho. Ela só quer saber de se dedicar a seus pacientes. Até o dia que chega Gregory Peck, o novo diretor do sanatório. Ele chega para substituir o atual diretor, mas logo ela descobre que ele não é quem diz ser e, pior, não sabe quem é na verdade. Os dois se apaixonam à primeira vista e aí ela quer ajudá-lo a qualquer custo. Não vou contar muita coisa pra não estragar o prazer dos outros (apesar do filme ser tão antigo), mas o filme é muito bonito. Gregory Peck está um charme só e tão intenso. Adorei vê-lo!

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Tecnicamente, já em 1945, Hitch ia além do esperado da maneira como filma a seqüência do sonho de Gregory Peck (com desenhos de Salvador Dali – fascinantes!) até o suicídio ao final do filme, com toques de vermelho em poucos frames na hora do disparo do revólver (que aponta diretamente para a tela, numa tomada subjetiva). Também nos closes em Gregory Peck e Ingrid Bergman no momento em que os dois se conhecem. E sem contar a cena deles esquiando que, embora visivelmente artificial (backprojection), tem um charme inegável.
Como o roteiro é super freudiano, não há como não comparar Spellbound com Marnie (meu predileto de todos os tempos). Só que os papéis estão invertidos. Gregory Peck está para Tippi Hedren, assim como Sean Connery está para Ingrid Bergman. É muito legal descobrir os paralelos entre os dois filmes: a artificialidade dos efeitos especiais; o trauma dos protagonistas sendo estimulado por cores (branco no caso de Spellbound e vermelho em Marnie); os amantes como agentes da cura e a descoberta do trauma infantil para ficar bonzinho de uma hora pra outra (aaaah se psicanálise fosse simples assim!) e quem sabe eu não me empolgo, vejo os dois filmes tomando notas e escrevo algo mais detalhado sobre isso. Um dia.

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E eu não pude ver o Oscar inteiro. Foi o primeiro ano que eu não fiquei acordado até tarde porque TINHA que ir trabalhar cedo no dia seguinte. Todos os anos eu consegui (até agora) tirar uma folga, chegar mais tarde, sei lá o que. Ou então eu ficava vendo e dormia pouco mas aguentava o tranco no dia seguinte. Dessa vez não deu.
Fui deitar era meia-noite (e a festa foi até as 2h30 segundo me disseram) depois de ver a música do Sting que achei CHATA PACA! Eu amo o Sting, mas aquela música foi dose. Aliás, todas as músicas foram chatas…
Deixei o VCR gravando, mas… a fita acabou antes do tempo e hoje, estava vendo a gravação e logo depois da entrega do prêmio de melhor roteiro adaptado… REWIND! A fita acabou! Que ódio! Justo quando estava chegando o final, os melhores prêmios. Corri pra internet (e fiquei me segurando O DIA INTEIRO) para ler os resultados.

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A única “dó” que eu sinto é de não ter visto o Sean Penn ganhar o prêmio, pois eu o ADOOOORO há muitos anos e estou esperando por esse momento desde “At Close Range” (Caminhos Violentos) pelo qual ele nem foi indicado, mas que é uma puta atuação.
Sofia Coppola também me agradou e eu concordo com tudo o que você falou, Fezoca Queridoca. A festa foi chata, as roupas estavam horríveis e tanto a Sofia quanto o Sean Penn e o Johnny Depp são bons DEMAIS para dar bola pra esse esquemão todo de Hollywood.
E Cidade de Deus… Bem, eu acho que a gente já esperava por isso, né? Concorrendo com Lord of the Rings em todas as categorias (todas?) fica difícil, né?
Ah! Outro que eu gostei foi o prêmio de melhor desenho para Finding Nemo e o de melhor estrangeiro para As Invasões Bárbaras. Legal.
Ano que vem eu vou ver se consigo ficar de olho aberto!

Acho que estou virando um workaholic. Tem dias em que eu me sinto igual ao Patrick Bateman, aquele personagem do Bret Easton Ellis que foi magnificamente interpretado por Christian Bale em “American Psycho”. Não chego a me sentir um “carreirista” daqueles que só pensa em subir na “corporate ladder”, passando por cima dos outros, sem se importar com mais ninguém. Ao mesmo tempo, minha vida profissional (e é assim que eu tenho visto a vida de todos os profissionais, não importa o ramo) é uma seqüência de imagens cuidadosamente criadas para causar esta ou aquela impressão nos outros. Os outros são todos, chefes, patrão, colegas, subordinados, clientes, vizinhos… (pois é, até vizinhos) e, por que deixá-los de fora, amigos e familiares. Por isso a seqüência de imagens extrapola o mundo corporativista e invade nossas vidas fora da empresa.
Talvez o resto do mundo consiga lidar com isso melhor do que eu, mas a sensação que tenho é que preciso me provar o tempo todo do quanto sou capaz. E daí para me sentir o psicótico Patrick Bateman é um passo. Fico lembrando daquela cena do filme em que ele e os outros yuppies de Wall Street comparam cartões de visita e chegam a conclusão de que outro (que não o de Bateman) é o melhor. Ele fica enfurecido, mas contem sua fúria no momento e depois, simplesmente, assassina a machadadas o “concorrente”, que ele havia convidado para um drink em sua casa.

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A briga velada (às vezes nem tão velada assim) pelo poder e status, impulsionada pela cultura do consumo (só somos felizes quando podemos ter, ter e ter mais) nos transforma em psicopatas, em assassinos da boa vontade, da colaboração e do trabalho em equipe. Tenho chegado em casa tão cansado que fico sem vontade de fazer coisa alguma. Não consigo tempo para responder emails particulares nem entrar no Cinefilia para ler o que a queridONA Fer escreveu. Muito menos tenho tempo para escrever sobre os filmes que tenho visto. Ah, mas para isso eu tenho tempo!
Tenho ido ao cinema com alguma freqüência e essa é minha única válvula de escape da qual não abro mão. Vi “Invasões Bárbaras”, vi “Simplesmente Amor”, “Mystic River” e “Sexo, Amor e Traição” entre outros. Vi “O Último Samurai” no dia da estréia, como bom fã de Tom Cruise que sou e fiquei satisfeito, embora tenha achado o filme muito cheio dos clichés. Ainda considero “De Olhos Bem Fechados” o melhor filme do Tom ou pelo menos, o meu predileto. Falando nisso, li o livro no qual Stanley Kubrick se baseou e achei brilhante! Gostei ainda mais do filme pois achei a adaptação MUITO BOA! Tá, eu sou suspeito, mas o filme é MUITO fiel ao livro. E, nesse caso, isso é um ponto positivo.
Além de cinema, continuo vendo filmes em casa. Minha coleção de DVD está aumentando a cada dia. Meus últimos achados (sempre compro os mais baratos, nas ofertas e nas promoções que encontro) foram: “A Marca da Maldade” do Orson Welles, “O Bebê de Rosemary” do Polanski, “Saturday Night Fever” com o Travolta dos disco days e “Manhattan” do Woody Allen. “Manhattan” então foi quase de graça pois achei numa promoção dos céus, por míseros 15 reais! Nem acreditei. E TODOS, atenção, em formato WIDESCREEN! Isso pra mim é um pré-requisito atualmente e não compro mais nenhum filme que não seja nesse formato. ODEIO ver filme “cortado” pelo “full screen” que eles fazem. Acho um absurdo, uma “sacanagem” com o diretor do filme, com o fotógrafo e com toda a equipe, enfim.
Bom, era isso o que eu tinha pra falar por hora. Vou descansar que amanhã é um novo dia de trabalho e preciso dormir cedo pra manter o visual bem disposto, como me ensinou meu amigo Patrick Bateman (se alguém souber como eu posso fazer para conseguir a versão widescreen, sem cortes, do American Psycho, por favor me avise. Só tenho achado “a outra”!).

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Eu ando de férias de internet… Não tenho tido bom acesso (conexão ruim) e não tenho tido muita vontade de escrever. Continuo vendo muitos filmes, como sempre. Compro DVDs novos e gravo programas na televisão. Minhas últimas “obsessões” na telinha são “Six Feet Under” e “Sex and the City”. Sei que estou atrasado, pois a Fer já falava de Sex and the City há teeeeempos atrás. Estou vendo a quarta temporada que passa no Multishow e não perco um episódio.
Sempre achei a Sarah Jessica Parker uma chata, feia e sem graça. Não sei o que o fofinho do Mathew Broderick viu nela. Mas eu gosto da personagem dela. Gosto das manias dela, do jeito dela conduzir os episódios e das coisas que ela escreve. Mesmo sendo homem, consigo me identificar com algumas tantas coisas. Talvez seja meu lado feminino, não sei. Se bem que tenho andado tão de SACO CHEIO das mulheres… só conheço mulher problemática e ando realmente cansado delas. Já estou até trabalhando isso na terapia, claro. O que adianta casar com um homem se tem TANTA mulher na minha vida e praticamente todas me “dão” tanta dor de cabeça?
Bem, voltando a série das mulheres… o que mais gosto mesmo é do Aidan, vivido pelo fofo John Corbett de O Casamento Grego. Que sonho… Ando tão fissurado nele que fiz até um desenho. Espero que gostem.
Vou ficando por aqui, ainda de férias.

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Ontem tive minha primeira aula de tricot. Pedi à minha mãe que me ensinasse a tricotar, só para ter algo com o que ocupar minhas mãos nos finais de semana, algo mecânico que não ocupasse minha mente e servisse de “momento de terapia e meditação comigo mesmo”. Depois de aprender os pontos básicos, fui ao cinema com uma amiga. Fomos, finalmente, ver Bowling for Columbine o documentário do Michael Moore, premiado com o Oscar de melhor documentário do ano, que fez tanto sucesso e foi tão polêmico. Esse filme está em cartaz aqui no Rio há um tempão e eu ainda não tinha consegui ir vê-lo.
Eu amei o filme. Embora chocado com as estatísticas e com toda a realidade mostrada no filme, fiquei admirado com a coragem do Moore e com a genialidade de seu filme. A maneira como ele editou toda a sua pesquisa, atrás de “por que nos EUA há mais mortes por armas de fogo do que em qualquer outro país do primeiro mundo?”, é brilhante.
Em casa, à noite, comecei a tricotar uma possível futura capa para uma almofada. Não sei se vai dar certo. Como é a primeira coisa que faço tricot na vida, e minha professora não está por perto, acho que uns pontos vão sair mais folgados que outros e um ou outro pode até ter escapado, sem que eu tenha notado. Enfim, fiquei horas no sofá, e depois na cama, tricotando e pensando comigo mesmo. Michael Moore não me saía da cabeça…
Eu sempre gostei tanto dos americanos… Hollywood, o sonho da vida perfeita, a beleza loira dos Estados Unidos… tudo lá funciona tão bem… Mas também tem um lado tão podre, tão doentio. E o que mais me chocou foi a diferença entre canadenses e americanos com relação ao medo. Medo de quase tudo. Dos vizinhos, de assaltos, de morrer, de matarem suas famílias. No Canadá ninguém tranca as portas de casa para dormir. No meu prédio existem três portas de ferro até chegar à porta de madeira do meu apartamento. E nessa porta existem três fechaduras/trancas. Eu tenho medo também. Será que todo carioca é assim? Será que a Cultura do Medo dos americanos está na mente dos poderosos da mídia no Brasil? Será que o Rio de Janeiro é DE FATO tão perigoso quando a gente pensa que é? Ou a TV Globo nos faz temer mais do que deveríamos?
Sangue, morte, armas, tiros, violência vendem mais jornal do que qualquer outra coisa, né? A cultura do medo faz a gente consumir mais. Chegando a ridículos como o episódio Y2K que o Michael Moore mostra no filme…
Continuei tricotando, viajando nas idéias… Adorei saber que eles conseguiram fazer com que o Kmart parasse de vender balas e munição de qualquer tipo em suas lojas. Isso é verdade, Fer? Funcionou mesmo? No filme, cheguei a ficar emocionado com isso.
E os micos pagados pelo Dick Clark, explorador de mão-de-obra em um de seus restaurantes, e pelo Charlton Heston, presidente da NRA (National Rifle Association)? Que MICÕES!! Amei Michael Moore, por sua coragem, por sua determinação e cheguei ao final do filme com a sensação de que não há mal nenhum em gostar dos americanos pois ainda há vida inteligente por lá. Assim como em todo lugar tem também muita gente babaca e aproveitadora. O azar é que eles formam o país mais poderoso do mundo e com isso a influência que essa Cultura do Medo tem no resto do mundo é muito grande mesmo. Mas é mais prejudicial para os próprios americanos.
Bom, deixa eu ir que tenho muito o que tricotar ainda.

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Quem já viu Rumble Fish? Eu vi. Só não consigo dizer quantas vezes já vi esse filme. Perdi as contas. Rumble Fish foi o meu cult movie predileto durante muitos anos. Eu vi o filme no cinema inúmeras vezes, antes de conseguir uma cópia em VHS. Primeiro foi uma cópia dublada, com intervalos comerciais, copiada de um primo que gravou o filme quando passou na TV Globo. Depois consegui uma cópia legendada. Até que fui aos Estados Unidos e comprei uma cópia bonitinha em VHS, sem legendas e imagem perfeita. A última aquisição foi comprar o filme em DVD, direto da banca de revistas, em formato Widescreen e tudo. Maravilha. Hoje me deliciei mais uma vez com essa obra de arte cinematográfica.
O filme é de 1983, dirigido pelo Francis Ford Coppola e aqui no Brasil ganhou o título (de gosto duvidoso) “O Selvagem da Motocicleta”. “Peixes de Briga”, tradução literal do original, teria sido mais adequado ao meu ver, mas “O Selvagem da Motocicleta” até que não é dos piores. Dá pra traçar paralelos com “O Selvagem” (The Wild One) que Marlon Brando estrelou na década de 50. E a personagem de Mickey Rourke não tem seu nome revelado no filme (ou no livro) e é conhecida apenas por “The Motorcycle Boy”. O mito do rapaz da motocicleta é o que ronda a cidade onde o filme se passa (Tulsa, Oklahoma) e a história poderia ser resumida da seguinte maneira: tenha espaço para viver, vá para um lugar onde você possa ser você mesmo, sem precisar brigar para se impor e onde não terá de viver à sombra de outras pessoas da família ou da própria cidade. Parece simplório e na verdade o roteiro não tem grandes pretensões. A mensagem final é de liberdade. Liberdade de formas pré-definidas e padrões a serem seguidos. Estilo “Easy Rider”.

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O melhor do filme é o “tom” geral, a fotografia brilhante em preto e branco que me faz pensar em “Orfeu” de Jean Cocteau e o uso exato de cores nos peixes de briga e num determinado momento final. Como o “Motorcycle Boy” é daltônico e o filme gira em torno de sua “lenda”, vemos tudo por sua ótica. Quando seu irmão, Rusty James, vive o momento decisivo (turning point) que dá início à sua nova jornada temos um vislumbre do que ele poderia enxergar e viver, em cores. O peixes são coloridos pois são exatamente a chave para a saída. Enquanto Rusty James permanecer em Tulsa, naquele lado da cidade, convivendo com aquelas pessoas, ele não passará de um peixe de briga.

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O elenco é de tirar o chapéu. Matt Dillon como Rusty James entrou para a história da sétima arte com esse papel. Ele tem a fúria de um jovem Marlon Brando enquanto Mickey Rourke lembra James Dean, introspectivo e cabisbaixo o tempo todo. “De quebra” temos Diane Lane, Nicolas Cage, Tom Waits, Vincent Spano, Chris Penn, Laurence Fishburne e Diana Scarwid sem contar, é claro, com pai bêbado dos dois irmãos, vivido brilhantemente por ninguém menos que Dennis Hopper, diretamente de Easy Rider, 20 anos depois. Tem até Sofia Coppola, ainda garotinha, como a irmã de Diane Lane. Sofia é creditada como “Domino”, mas não há dúvidas de que seja ela.
O que eu sei é que mesmo depois de muitas e muitas visões de Rumble Fish, eu continuo gostando de ver esse filme. Não me canso. Meu cult. Uma das minhas identidades cinematográficas.

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Eu vi!! Eu vi e adorei!! O filme do Ang Lee é simplesmente maravilhoso! Pena que nem todo mundo conseguiu perceber a genialidade do cara. Ele fez um Hulk muito mais crível que aquele da antiga série de tv. Fez um Hulk muito mais fiel ao Hulk dos quadrinhos e, como se não bastasse, encheu seu filme de humanidade, sensibilidade e compaixão. Pode parecer brega e piegas, talvez seja mesmo. Mas eu curti de montão!
Nick Nolte está tão cientista maluco beleza que me incomodou um pouco, com aconteceu com Willem Dafoe em Spiderman. Todos os bandidos desse tipo de filme acabam pecando pelo exagero mesmo… Mas o drama pai e filho foi muito bem explorado, assim como a relação pai e filha entre a belíssima Jennifer Connely e Sam Elliot, o milico malvado.
Eric Bana está ótimo como Bruce Banner! Nossa! Nem me lembrei daquele cara bobão que fazia o Bruce Banner da televisão! Esse Bruce é um personagem muito mais completo, bem definido e não tem como a gente não se sensibilizar com seu drama e invejar, de certa forma, sua liberdade verde.
Eu bem queria crescer, quebrar tudo à minha volta e sair pulando por aí! Ninguém me seguraria! :^))
P.S.: Fezoca, o Hulk NÃO destruiu San Francisco! Foi só o calçamento de uma rua ou duas e uns carros lá. Mas a cidade ficou intacta e a Golden Gate ele até protegeu, viu?

Quando eu vejo filmes modernos eu fico sempre imaginando se quando eu tiver uns 60 ou 70 anos eu irei ver esses mesmos filmes com os olhos que hoje vejo os filmes das décadas de 30, 40, 50. Fico pensando se eles serão considerados clássicos ou não. Talvez Meg Ryan seja no futuro o modelo clássico de atriz de comédias românticas, do jeito que Audrey Hepburn foi nos anos 60 e Katharine Hepburn foi nos anos 30.
No caso dos atores eu até já tinha feito uma listinha há um tempo atrás dos paralelos entre os “teen idols” do final dos anos 50, início dos 60 e hoje. Naquela época tinhamos os deliciosos Tab Hunter, John Derek e Troy Donahue. Nenhum deles chegou a fazer real sucesso ou provar que eram atores de verdade. Hoje temos Paul Walker, Freddie Prinze Jr e Johnathon Schaech. Todos muito bonitos e interessantes, mas sem nenhum grande papel que pudesse comprovar seus possíveis talentos além dos “dotes visuais”.

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[Agora: Johnathon Schaech Antes: Tab Hunter]

Há entretanto um outro caso: Hugh Jackman. Jackman já estreou em grande estilo, com um personagem complexo e bem explorado nos dois filmes da série X-Men. Seu Wolverine é uma das melhores coisas dos dois filmes, que têm outras tantas qualidades. Mas Jackman não ficou só nos heróis de ação. Assim como Cary Grant, William Holden ou Robert Mitchum, Hugh Jackman vai da ação à comédia romântica mostrando incrível versatilidade e carisma. Em “Someone Like You” e “Kate & Leopold” (esse último, não por acaso, co-estrelado por Meg Ryan), Jackman exala charme e sedução e seu timing para a comédia é perfeito.

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Só falta agora um papel dramático para vermos se ele passa do nível Cary Grant para o nível Paul Newman (que eu considero melhor que os todos os que citei até agora). Como ainda não deu pra perceber se Hugh Jackman vai conseguir tal façanha eu digo que ele é o William Holden dos dias de hoje, mas logo, logo poderá passar a ser o Gary Cooper ou o Henry Fonda atual. Enquanto isso a gente vai aproveitando momentos “saborosos” como esse de “Swordfish”:

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Aliás, quem topa me ajudar a fazer uma lista de “correspondências”? Antes James Stewart, agora Tom Hanks. Antes Grace Kelly, agora Sharon Stone. Vou trabalhar na minha lista e depois coloco aqui.

Há algumas semanas atrás eu fui ao cinema ver Matrix Reloaded. Eu gostei muito do primeiro Matrix e sou um grande fã do Keanu Reeves. Estava ancioso para ver esse novo filme. Entretanto, no fundo da minha mente algo me dizia que eu não deveria ter expectativas muito altas. Bem, o filme foi uma verdadeira BOSTA pra mim! Que coisa horrorosa! Saí do cinema com uma única certeza: gastei 10 reais à toa!
À noite, zapeando pela televisão, peguei a primeira cena de um filme passado em Veneza. Cores brilhantes, fotografia belíssima. Eu tenho uma estranha relação com Veneza. Nunca estive nessa cidade (nunca fui à Itália), mas sinto que em outras encarnações já vivi por lá. Fiquei apreciando a paisagem e me acomodei na cama para ver o filme. Logo vi Katharine Hepburn, bela, hipnótica, magnética e interessante como sempre. O filme, acabei concluindo, era “Summertime” do David Lean, filme que eu queria ver há anos e nunca tinha conseguido. Que belo presente!

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David Lean fez alguns dos filmes mais belos de todos os tempos. Pelo menos Lawrence da Arábia e Doutro Zhivago são obrigatoriedade para qualquer cinéfilo que queira assim se intitular. Summertime é de alguns anos antes. Não é um filme tão grandioso, não tem cara de épico e nem dura longas horas. É um filme intimista, cheio de luz, cor e uma enorme sensação de férias. Sabe aquele sentimento delicioso que a gente tem quando sai de férias e vai descobrir lugares novos, pessoas novas? O filme é bem assim.

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Katharine Hepburn interpreta mais uma solteirona em sua carreira, que vai a Veneza em busca de prazer. Ela o encontra na figura de um belo italiano e vive um tórrido caso de amor, cheio de medos e prazeres. Infelizmente o cara é casado e ela resolve voltar pra casa e esquecê-lo. Pra mim foi PERFEITO! Era isso mesmo que ela tinha que fazer e pelo menos aproveitou e teve as melhores férias de sua vida. Daquelas que a gente nunca esquece.
Eu vivi isso em Paris. Foi tão bom…
Bem, voltando a Katharine Hepburn. Eu nunca a tive na minha lista das prediletas. Sempre a admirei, mas não conhecia muitos de seus filmes. Depois de ver Summertime e de ter gostado tanto de passear ao seu lado em Veneza resolvi ver “The African Queen”. A Fer me deu esse filme, há anos atrás, mexendo nas coisas dela que ainda estavam na casa da mãe dela em Campinas. Eu ainda não tinha sentado pra ver o filme. E tenho um livro, escrito pela própria Katharine sobre as filmagens do African Queen. Outra experiência deliciosa (embora não tão bela quanto Summertime)!
Fiquei fazendo planos de escrever sobre Hepburn para o Cinefilia, procurar outros filmes dela para ver, estudar sobre sua carreira, tal. Eu tenho uma amiga que mora em Miami, a Susan, que é a CARA da Hepburn. Eu vejo os filmes dela, fotos e penso na Susan. Dá uma saudade gostosa e é mais uma razão para eu gostar de Katharine Hepburn.

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Poucos dias após ver Summertime estou vendo CNN e descubro que Katharine morreu, aos 96 anos de idade. Não cheguei a ficar triste pois ninguém deve ficar triste por que alguém morreu aos 96 anos, depois de ter tido uma vida tão plena. Mas me pareceu que eu iria virar “oportunista” de dizer que eu gostava de Katharine Hepburn no Cinefilia, no dia seguinte de sua morte. Resolvi esperar um tempo. Agora tô aqui, fazendo uma homenagem a uma das maiores atrizes de todos os tempos (eu a coloco ao lado de Bette Davis e Meryl Streep no topo da lista).
Quanto à Matrix Reloaded… que perda de tempo!

Eu me lembro de ter acompanhado inúmeras séries de televisão. Acho que todo mundo que gosta de cinema, de um jeito ou de outro, gosta também de ver televisão. E eu acompanhava quase todas: As Panteras, Casal 20, O Incrível Hulk, Batman (aquela antigona!), O Homem de Seis Milhões de Dólares, A Mulher Biônica, SOS Malibu (Baywatch traduzido!!), Melrose Place, Barrados no Baile… até as mais recentes: Mad About You, Friends etc. A novíssima Smallville e por aí vai. Sem falar em Sex in the City que é DEZ! Só não consigo me lembrar de nenhuma que eu tenha assistido do primeiro ao último episódio, durante seis anos, igual a Dawson’s Creek .
No início era a paisagem, o cenário, o clima de romance adolescente e aquela angústia típica de uma fase da vida de todo mundo em que um pequeno gesto pode estragar a sua vida ou redefinir toda uma existência. Eu adorei acompanhar as vidas de Dawson, Joey, Pacey e Jen durante todo esse tempo. Na segunda temporada chegou o Jack que, a princípio, roubou a Joey do Dawson e eu fiquei com uma pulga atrás da orelha: porque esse cara tá namorando ela? Ele não tem cara de quem tá afim dela de verdade. Até que um dia ele se declara gay para o pai e para toda a cidadezinha de Capeside, onde vivem.
Deste episódio em diante, Dawson’s Creek virou, para mim, Jack’s Creek e eu ficava meio entediado quando ele não aparecia, ao mesmo tempo em que vibrava a cada pequena conquista sua e sofria com suas desilusões e frustrações. No final da série, segunda-feira passada para quem acompanha no Brasil, Jack é quem se sai melhor na história. Ele fica com o irmão do Pacey, o xerife de Capeside! O bonitão Dylan Neal que interpreta Doug Witter, sempre foi “acusado” pelo irmão mais novo Pacey de ser gay. E sempre negou. No final não só ele acaba saindo do armário como forma a mais nova família da cidade, junto com o Jack e a filha bebêzinha da Jen.

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Ah, esqueci de dizer que a Jen morre no último episódio e a choradeira é ENORME!! Todos os meus amigos ODIARAM o final da série porque o Dawson não fica com a Joey e sim com o Pacey. Mas principalmente por causa do dramalhão da morte da Jen. Eu também não gostei muito dessa parte, mas pelo menos serviu para um propósito maior que era fazer o Jack feliz e impulsionar o Doug a sair do armário e viver com ele.
Por isso acho que as séries estão mudando, cada vez melhores, e eu, bem noveleiro de Sony Entertainment Television, NÃO vou deixar de acompanhar as novidades. Agora já estou engajado em acompanhar AS IF, uma série inglesa, com um formato bem diferente e elementos gays também.