[27/maio]
Fui ver About a Boy, com o Hugh Grant. O filme é baseado no livro homônimo do escritor inglês Nick Hornby e é dirigido pelos irmãos Chris e Paul Weitz. Como eu nunca li nenhum livro do Nick Hornby, só posso falar baseada no outro filme que eu vi e que foi também uma adaptação de um livro dele – High Fidelity. O estilão desse novo filme é o mesmo, com o tema dos relacionamentos como ponto central da história. O personagem principal [Hugh Grant] narra a sua trajetória de homem solteiro, mulherengo, fútil e irresponsável, que se considera uma ilha [ em contrapartida à uma frase creditada a uma música do Jon Bon Jovi – “no man is an island”]. O personagem coadjuvante [Nicholas Hoult] também narra a sua própria trajetória, de menino estranho, filho de uma hiponga, totalmente marginalizado na escola. Os dois personagens se encontram casualmente e eventualmente um vai mudar a vida do outro.
O filme é gostosinho de assistir, os diálogos são engraçados e inteligentes, o menino é bonitinho [apesar do corte de cabelo hediondo] e todo mundo falando com sotaque inglês e as paisagens de Londres dão um charme extra a About a Boy. Um filme adorável, ótimo para dar um pontapé inicial no verão.

O ladrão inglês “aposentado”, Gary “Gal” Dove (Ray Winstone), vive sossegado numa villa isolada no sul da Espanha. Ele passa os dias à beira da piscina, torrando no sol escaldante, na companhia da sua esposa DeeDee (Amanda Redman), uma ex-estrela pornô e seus amigos Aitch e Jackie (Cavan Kendell e Julianne White). Sua vida é monótona, mas ele se diz feliz. Juntos eles comem, bebem e se divertem. Um dia a tranqüilidade da vidinha do grupo é quebrada por um telefonema de Don Logan (Ben Kingsley), um ex-companheiro de crimes de Gal.
O terror nos olhos das personagens já antecipa quem é esse tão temido ladrão. A violência e agressividade estão implícitas nos olhares e comentários. Não precisamos ver Dan Logan espancando ou matando alguém por pouco ou nenhum motivo, para saber que ele é capaz de tal ato. Dan sai de Londres e vai até a casa de Gal na Espanha para fazer-lhe uma proposta de trabalho. E ele não está disposto a aceitar um ‘não’como resposta.
Teddy Bass (Ian McShane) é a cabeça que planeja um grande roubo, num banco com a mais moderna tecnologia de segurança. Teddy é a personificação do demônio. Gal não terá somente que enfrentar Dan, mas terá que exorcizar Teddy.
O diretor inglês Jonathan Glazer dirigiu videoclipes para bandas como Radiohead, Blur e Jamiroquai antes de estrear na direção de longa metragens com Sexy Beast. É notável a sua mão ágil para imagens e cortes. Além da deliciosa trilha sonora, que embala o frenesi da trama. Sexy Beast seria um filme perfeito, se não fosse pelas gírias e o pesado sotaque inglês, que foram uma ‘pedra nos sapatos’ para os nossos ouvidos acostumados com o suave sotaque californiano. Mas quem precisa entender em detalhes as farpas e grosserias proferidas pelo Dan Logan de Ben Kingsley. Neste caso, um olhar equivale a mil palavras.

Algumas pessoas dizem que eu “entendo” de cinema. Mas acho que isso não existe. Ninguém “entende” de cinema. As pessoas (e eu entre elas) GOSTAM de cinema, lêem sobre cinema, vêem muitos filmes e por isso falam sobre cinema. Se isso é entender de cinema, então eu entendo. Mas acho que acima de qualquer coisa eu GOSTO de cinema, gosto de ver filmes e de falar (ou escrever) sobre eles e tudo o que gira em torno disso. Gosto tanto de cinema que às vezes chego a imaginar filmes que nunca foram feitos. Escalo elenco, idealizo cenários, visualizo a fotografia, escolho a trilha sonora… delírios infindáveis.
Meu melhor “casting”, eu acho, foi durante a leitura de um romance de William Faulkner que me assombra até hoje. Como é um livro muito difícil de ler só li uma vez. Foi num curso de literatura americana, na PUC do Rio, em 92! Fiquei assombrado pela história e pela maneira como ela é contada. Cada “capítulo” (e coloco entre aspas porque não são capítulos tradicionais, mas diversas “partes” ou “passagens” da história) é narrado por uma personagem diferente. Só lá pelo meio do livro é que a gente começa a entender um pouco o que está se passando. É necessário unir as peças do quebra-cabeça através dos diferentes pontos de vista de cada uma das narrações, reflexões e indicações de cada passagem.
O livro chama-se “As I Lay Dying” (que no Brasil foi traduzido como “Enquanto Agonizo”) e conta a história de uma família que se prepara para o enterro da mãe. No início da narrativa ela ainda não morreu, mas é certo de que isso acontecerá. O filho mais velho (são cinco, os filhos do casal), por exemplo, já começa o livro serrando madeira para construir o caixão. Outros, como o mais novo, ainda uma criança, se recusa a pensar na hipótese de que sua mãe pode estar morrendo. Ele ainda nem entende o que é morte, mas tem um “lampejo” de consciência ao ver um peixe que acabara de ser pescado, pulando na varanda de casa até parar e morrer. Quando sua mãe morre e ela a vê inerte, seu pensamento é único, “My mother is a fish”. A história se desenrola com a ida da família pra uma cidade distante onde é o desejo da mãe ser enterrada. Eles colocam o caixão numa carroça e atravessam rio, incêndio num celeiro e diversas dificuldades para chegar até o cemitério. Só lendo o livro para perceber o poder dessa obra de Faulkner. Inútil explicar.
No meu sonho cinematográfico David Lynch seria o diretor. Meryl Streep (que na época em que li o livro era ainda um pouco jovem para o papel, tem agora a idade perfeita) seria a mãe. Ela tem uma “passagem póstuma” que é chave para a compreensão de alguns fatos importantes na vida deles, e é vista em flashbacks, através das narrativas de cada uma das outras persagens. Jeremy Irons seria o pai. Ao começar a ler o livro eu vi Jeremy Irons, de pijama, sentado numa cadeira de balanço na varanda de uma casinha de madeira. Era o próprio.
O cinema, ao contrário do teatro, eterniza rostos e corpos e a gente consegue manter a imagem fixa de determinados atores, mesmo que hoje eles não sejam mais daquele jeito. Então, na minha cabeça os filhos seriam:
* Dennis Quaid (28 anos) como o filho mais velho, marceneiro, prático e caladão.
* River Phoenix (26 anos) como o segundo, o mais sensível, mais introspectivo e figura importante na história pois é quem tem mais passagens narrativas e por é com ele que o leitor mais se envolve (eu pelo menos!).
* Matt Dillon (19 anos) como o terceiro, um tipo garanhão, fortão, confiante e cheio de si, que toma atitudes impensadamente e, descobre-se mais tarde, é filho de uma relação extra-conjugal da mãe e, por isso mesmo, é o preferido dela.
* Laura Dern (17 anos) como a única filha, ainda descobrindo sua sexualidade, meio aérea e à margem dos acontecimentos.
* Macaulay Culkin (7 anos), como o caçula.
Hoje eu teria que repensar todo esse elenco. Nem o irmão mais novo de Macaulay Culkin daria para o papel. No lugar de Dennis Quaid talvez Hugh Jackman, mas ele também não tem mais 28 anos. Mas ainda consigo reler partes do livro e imaginar cada um desses atores interpretando esses papéis. Há um tempo atrás falou-se sobre uma possível adaptação desse romance de Faulkner para as telas. Parece que Jack Nicholson (bleargh!) e Sean Penn (clap! clap! clap!!) estavam envolvidos no projeto. Nada aconteceu. Por isso eu continuo com o sonho de escrever um roteiro e mandar pro David Lynch filmar. Who knows? ;^)))

O diretor Christopher Nolan [ de Memento] viu um filme norueguês chamado Insomnia [1997] e resolveu refaze-lo. Mesmo não tendo visto o filme original, posso ousar dizer que a versão de Nolan está excelente. Adaptado da Noruega para o Alaska, Insomnia é um trillher policial, que traz Al Pacino e Robin Williams em atuações impressionantes.
Will Dormer [Al Pacino] é um policial famoso em Los Angeles, que está envolvido numa investigação do Internal Affairs e corre o risco de ter sua carreira destruída. Seu partner [Martin Donovan] está sendo pressionado também. Eles são enviados ao Alaska, para ajudar na investigação da morte de uma adolescente [ e afasta-los do buxixo em L.A.].
Durante uma perseguição, Dormer mata seu partner [e nem ele sabe com certeza se foi um acidente ou não]. O assassino da adolescente [ Robin Williams], que eles perseguiam no momento do acidente, assiste a cena em que Dormer atira no seu companheiro e passa a chantagia-lo. Os dias de verão no Alaska com vinte e quatro horas de luz do sol, juntam-se aos problemas de consciência do policial, que não consegue mais dormir. Durante o processo de investigação da morte da garota e da morte do parceiro, com a pressão do assassino e a investigação paralela da policial local [Hilary Swank], Dormer entra num estado hipnótico e parece que tudo o que ele faz – no seu estilo de policial corrupto de cidade grande – só faz a situação piorar mais e mais.
Os críticos estão aclamando a performance de Al Pacino e ele realmente abafa! E Robin Williams, que estamos acostumados a ver em papéis de bonzinhos e/ou palhaços, também está ótimo. O seu personagem – um escritor medíocre e manipulativo, que tem um relacionamento com a menina de dezessete anos e a mata quando ela ri dele – está mesmo de dar enjôos de nojo.

Meus favoritos:
* Zelig
* Radio Days
* Sweet and Lowdown
* Annie Hall
* Manhattan
* Hannah and Her Sisters
* The Purple Rose of Cairo
* Play It Again, Sam
* Love and Death
* Everything You Always Wanted to Know About Sex
* Stardust Memories
* Deconstructing Harry
* Small Time Crooks

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Eu não era um fã dos filmes do Woody Allen até alguns anos atrás. A Bia sim, sempre gostou mais dos filmes do Woody Allen, do conjunto de sua obra, do que de qualquer outro diretor. Eu demorei muito tempo para entrar no clima dele, entender e curtir seu humor, sua sensibilidade. Hoje eu posso dizer que é um raro prazer assistir aos filmes de Woody Allen.
O primeiro que lembro de ter curtido de verdade foi “The Purple Rose of Cairo”, um singelo e envolvente filme sobre a sétima arte. O elenco tinha apenas Jeff Daniels da minha lista de mais queridos, mas isso não importou. Foi a homenagem perfeita à magia do cinema, ao caráter entorpecente e aliviador que os bons filmes nos trazem. Cecilia e eu: a mesma pessoa.
Depois vieram outros tantos que eu curti como jamais pensei que curtiria um filme de Woody Allen, porque cismava em achá-lo chato e neurótico! Hoje eu rio e me emociono com suas neuroses e tenho altas epifanias vendo seus filmes. “Manhattan” é belo em fotografia e cheio de emoções, além de ter uma das primeiras aparições na tela da querida Meryl Streep, com os cabelões escorridos, fazendo a ex-mulher lésbica de Woody. “Manhattan Murder Mystery” me fez gargalhar até chorar e acho que sou um dos poucos que curtiu tanto esse filme. “Deconstructing Harry” me fez ver o quanto Woody fala de si próprio para poder se entender e o auto deboche é levado ao extremo. “Bullets Over Broadway” é outro que me fez gargalhar e contém a inesquecível atuação de Diane Wiest repetindo, “Don’t speak”! “Stardust Memories” tem Charlotte Rampling e é hipnotizante com a mesma fotografia em preto e branco de “Manhattan”. “Celebrities”, “Mighty Afrodite”, “Small Time Crooks”… todos os mais recentes, muito divertidos e enriquecedores.
Hoje vi uma pérola única: “Sweet and Lowdown”. Sean Penn, como Emmet Ray, lendário guitarrista dos anos 30 e 40, figura mística envolvida em diversas histórias, com diversas versões diferentes, está divino, como sempre. Samantha Morton, como Harriet, a namorada muda de Ray, está magnífica e tocante. Algumas cenas são antológicas: Uma Thurman tentando entender a “obsessão” de Ray com trens, fazendo analogias diversas, para culminar com a mais óbvia sobre a sexualidade masculina, tal. Ray olha pra ela e diz, “Parece que você está querendo transar com o trem”!
O tom nostálgico fica por conta da época em que o filme se passa, pelo belíssimo jazz que ouvimos ao longo do filme e pela tristeza constante nos olhos de Sean Penn. Na pele dele, Emmet Ray parece ter sido um artista brilhante, intoxicado pelo próprio talento que se desespera ao perceber que deixara escapar por entre os dedos, por pura negligência, o amor de sua vida, Harriet. A doçura do filme está justamente em Harriet que, vivida por Samantha Morton, rouba todas as cenas e nos faz torcer por ela o tempo todo. Quando a gente se importa com os personagens de um filme, aí podemos dizer que o filme é realmente bom. E isso Woody Allen é mestre em fazer.

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Depois de Batman, meu super-herói predileto sempre foi o Homem Aranha. Talvez eu não tivesse me dado conta disso antes, mas ele sempre foi o mais engraçado, o mais esperto, com tiradas inteligentes e bem humoradas. Esse lado irônico dele só transparecia quando vestido de Homem Aranha. Como Peter Parker, ele sempre foi mais introspectivo, meio tímido, na dele. A quantidade de porradas que o Homem Aranha levava era incrível. Ele reclamava à bessa, mas nunca desistia e, no final, vencia, é claro.
Em 1989, quando Batman fez 50 anos, a Warner lançou o primeiro filme do Tim Burton sobre o Cavaleiro das Trevas e eu fiz questão de assistir ao filme no dia da estréia aqui no Rio. Me lembro da emoção ao ver a mansão Wayne, gótica e dark como ela deveria ser e o prazer em visualizar “em carne e osso” um universo no qual eu sempre tinha vivido apenas em desenho. Depois, quando Tim Burton fez o segundo filme do Batman, com Michelle Pfeiffer fazendo Selina Kyle, foi a realização de todos os meus sonhos. “Batman Returns” é ainda mais sombrio que o primeiro filme e os cenários, caracterizações e roteiro são primorosos.
Ontem fui assistir “Spider Man”. Telão grande, pipoca e coca-cola, pessoas amadas em volta. Cinema é a maior diversão. Minha excitação era grande, a expectativa enorme. Peter Parker na minha mente tinha que ter a cara de um Casper Van Dien ou outro bonitão de queixo quadrado. Tobey Maguire, entretanto, não me decepcionou.
Amei o filme!
Amei os cenários, amei o uniforme dele, o roteiro que mostra tão claramente como Peter Parker era um cara super comum, igual a qualquer outro e, por pura sorte, eu diria, foi atacado por uma aranha super-poderosa e ganhou poderes tão maneiros que o permitem escalar prédios, saltar longas distâncias, soltar uma rede que agüenta o seu peso e de mais um bando de coisas e ainda tem uma espécie de “radarzinho” que o avisa quando algo estranho/perigoso está para acontecer. Quem é que não iria querer algo assim? Claro que, depois de perceber o poder nas mãos, e porque ele não tem má índole, foi bem criado, tal, vê que tem, obrigatoriamente, que usar seus poderes para o bem. “With great power comes great responsability”, foram as últimas palavras do tio Ben para Peter.
Mais importante de tudo, pra mim, foi, novamente, ter aquela sensação de ver um universo tão familiar em desenho ganhar vida! A atriz que faz a tia May é TÃO igual à tia May dos quadrinhos que chega a ser assustador. Até as rugas ao redor da boca são iguais!! O penteado da Mary Jane na seqüência inicial do filme também é idêntico ao que ela usa nos quadrinhos e por aí vai. O patrão do Peter também é extremamente fiel ao “original”. Willem Dafoe tá meio caricato demais pro meu gosto, mas nem sei se é culpa dele ou do papel mesmo. Todo vilão de quadrinhos é meio excessivo, né? Nos quadrinhos Osborn e seu filho não tinham nada a ver com Willem Dafoe e James Franco, mas em relação a esse último isso não foi problema algum. Franco, como o amigo ricaço de Peter, filho do vilão, ignorado pelo pai e inseguro até a ponta dos cabelos, está magnífico! Ele é frágil e tocante. Me fez pensar um bocado na sua performance como James Dean que lhe rendeu um Emmy esse ano. Esse garoto vai longe.
Voltando ao filme e ao prazer que senti durante a projeção, quem não gostaria de sair “swingando” pelas avenidas de New York, pulando de um prédio pra outro, olhando tudo de cima, “tomando conta” da cidade?
Ah… eu bem ia gostar disso! :^)))))

São dois fanáticos por cinema. Cresceram vendo filmes e mais filmes. Sonharam e viajaram nas imagens e sons que vinham da tela mágica. Em meio aos embalos do John Travolta e cabelos da Farrah Fawcett na década de 70 quando eles começaram a se embriagar com a sétima arte, foram aos poucos apurando o gosto pra coisa. Alfred Hitchcock é referência obrigatória: Rear Window indispensável e Vertigo quase uma obsessão.
A lista de ídolos em comum é enorme: William Holden, Lauren Bacall, Audrey Hepburn, Jeff Bridges, Sean Penn, Roman Polanski, Dennis Quaid, Janis Joplin, Leonard Cohen…
Algumas preferências são mais distintas: Kim Novak x Tippi Hedren, Jim Carrey x Joe Dallesandro, Bette Davis x Rita Hayworth, Gus Van Sant x Cameron Crowe, Sting x Bob Dylan…
Alguns filmes os aproximaram: Dancing in the Dark, Almost Famous, The Birds…
Outros divergiram: Eyes Wide Shut, Vanilla Sky, Interview With The Vampire ou qualquer outro filme com Tom Cruise!
O importante, entretanto, é ver filmes, falar de cinema e sonhar com o que está por vir, mesmo que eles hoje estejam um tanto exigentes e não é qualquer filmeco para tv a cabo que eles engolem.
Um brinde aos que ainda fazem bom cinema, como Hitchock, Welles, Wilder, Cocteau e tantos outros faziam, e a todos que os apreciam ou depreciam, contanto que os vejam!